terça-feira, 14 de agosto de 2012

ASSUNÇÃO DA VIRGEM MARIA


Assunção ao céu da Santíssima Virgem em corpo e alma

A Assunção da Virgem em corpo e alma, após sua morte preciosíssima é, hoje, um dogma de fé cristã. Nele devemos crer incondicionalmente, sob pena de cairmos em heresia.
Nenhum católico poderá negar que a Virgem Mãe de Deus foi elevada ao céu em corpo e alma, após a morte.
O Papa Pio XII, no dia 1 de Novembro de 1950, na Basílica de São Pedro, dirigiu a cerimónia que ficou e ficará para sempre nos anais da Igreja Católica como a mais solene da era contemporânea, o Dogma da Assunção da Virgem Mãe de Deus. Vejamos a alocução de Sua Santidade firmada nessa cerimónia:

“Veneráveis irmãos e amados filhos e filhas que vos haveis congregado em nossa presença e todos vós que nos ouvis nesta Santa Roma e em todos os lugares do mundo católico.
“Emocionados pela proclamação como um dogma de fé da Assunção ao céu da Santíssima Virgem em corpo e alma, exultando de alegria que inunda os corações de todos os fiéis, agora satisfeitos em seus ardentes desejos, sentimos irresistível necessidade de elevar junto convosco o hino de graças à amada providência de Deus, que quis reservar para vós a alegria deste dia e a nós o conforto de colocar sobre a fronte da mãe de Deus e da nossa mãe um brilhante diadema que coroa suas singulares prerrogativas.
“Por um inescrutável desígnio do destino, aos homens da actual geração tão atormentados e afligidos, perdidos e alucinados, mas também sadiamente em busca de um grande Deus que foi perdido, abre-se uma parte luminosa dos céus, onde se senta, junto ao filho da justiça, a rainha-mãe, Maria.
“Implorando há longo tempo, finalmente nos chega este dia, o qual por fim, é nosso. A voz dos séculos – deveríamos dizer a voz da eternidade – é nossa. É a voz que, com a ajuda do Espírito Santo, definiu solenemente o alto privilégio da celestial Mãe. E vosso é o grito dos séculos. Como se houvessem sido sacudidos pelas batidas dos vossos corações e pelo balbuciar dos vossos lábios, as próprias pedras desta patriarcal basílica vibram e juntamente com elas os inumeráveis antigos templos levantados em todas as partes em honra de Maria, monumentos de uma só fé e pedestais terrenos do celestial trono da glória da Rainha do Universo, parecem exultar em pequenas batidas. E neste dia de alegria, desde este pedaço do céu, juntamente com a evangélica onda de satisfação que se harmoniza com a onda de exultação de toda a Igreja militante, não pode deixar de descer sobre as almas uma torrente de graças e ensinamentos, frutíferos despertadores de renovada santidade. Por esta razão, para tão altíssima criatura, levantamos, cheios de fé, os nossos olhares da terra – nesta nossa época, entre a nossa geração – e gritamos a todos: “Levantai os vossos corações”.
“As muitas intranquilas e angustiosas almas, triste legado de uma idade violenta e turbulenta, almas oprimidas, porém não resignadas, que já não crêem na bondade da vida e aceitam-na somente como se fossem obrigadas a aceitá-la, ela lhes abre as mas altas visões e as conforta para contemplar que destino e que obras ela há sublimado, ela, que foi eleita por Deus para ser Mãe do mundo, feita em carne, recebeu docilmente a palavra do Senhor.
“E vós, que estais mais particularmente próximo de nosso coração, vós pobres enfermos, vós refugiados, vós prisioneiros, vós os perseguidos, vós com os braços em trabalho e o corpo sem abrigo, vós nos sofrimentos de toda índole e de todas as nações, vós a quem a passagem pela terra só parece dar lágrimas e privações, por mais esforços que se façam ou que se deverão fazer para acudir em vossa ajuda; levantai vossos olhares para Ela que, antes de vós, percorreu os caminhos da pobreza, do exílio e da dor; para Ela, cuja alma foi atravessada pela espada ao pé da cruz e que agora contempla, como olhar firme, desde a luz eterna, este mundo sem paz, martirizado por desconfianças recíprocas, pelas divisões, pelos conflitos, pelos ódios a tal ponto que se debilitou e se perdeu o sentido do temor em Cristo. Enquanto suplicamos com todo o ardor que a Virgem Maria possa assinalar o retorno do calor, do afecto e da vida aos corações humanos, não nos devemos cansar de recordar que nada deve prevalecer sobre o fato, sobre a consciência de sermos todos filhos da mesma Mãe, laço é de união através do místico Corpo de Cristo, uma nova era e uma nova Mãe dos vivos, que quer conduzir todos os homens à verdade e à graça de seu divino Filho.”

Rui Manuel Tapadinhas Alves

quinta-feira, 24 de maio de 2012

ALEGRAI-VOS, O ESPÍRITO DE DEUS DESCE SOBRE NÓS


DOMINGO DE PENTECOSTES

No Livro dos Actos dos Apóstolos, ao capítulo 2 podemos ler:

«Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.
Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu.
Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua.» (Ac. 2, 1-6)
Pelas primeiras palavras ficamos com uma certeza: a festa de Pentecostes — que significa 50 dias — já existia no calendário judaico e comemorava o quinquagésimo dia após a aparição de Deus no Monte Sinai e a entrega da Lei divina a Moisés.
Foi esse dia que o Senhor escolheu para cumprir a promessa feita aos seus apóstolos, pouco antes da sua Ascensão: “vós sereis baptizados no Espírito Santo daqui a poucos dias” (Ac. 1, 5)
E assim aconteceu, quando “estavam todos reunidos no mesmo lugar”, ou seja no Cenáculo onde Jesus instaurara o Sacramento por excelência, a Divina Eucaristia.
Também está claro no texto que “estavam todos” ou sejam: “Pedro e João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelador, e Judas, irmão de Tiago. Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus”. (Ac. 1, 13-14)
Não está dito que os discípulos ali estivessem também, mas temos a certeza que “Maria, Mãe de Jesus”, ali se encontrava e todos unidos “perseveravam unanimemente na oração”.
O Espírito de Deus poderia ter-se manifestado no silêncio daqueles corações que unanimemente o louvavam, mas não, manifestou-se primeiramente de maneira “ruidosa”, visto que São Lucas diz que “veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso”, o que teve como resultado, não só de encher “toda a casa onde estavam sentados”, mas também, ao mesmo tempo, ou logo após, aparecessem “uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles”, o que teve como consequência imediata que ficassem “cheios do Espírito Santo e começassem a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem”.
Que grandes são as maravilhas de Deus!
Mas aquele ruído que se espalhou pelo Cenáculo a quando da descida do Espírito de Deus, não ficou escondido, não foi uma dádiva destinada unicamente a alguns privilegiados: o Espírito de Deus, o Espírito Santo vai ter efeitos imediatos sobre a multidão, porque “achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. Também eles ouviram aquele ruído particular e desconhecido, que os levou a acorrem, eis porque “se reuniu muita gente e maravilhava-se”, porque cada um deles ouvia os apóstolos — que sem medo, tinham saído e continuando a falar em línguas, anunciavam a “Boa Nova do Reino” — “na sua própria língua”.
Milagre do Senhor, que de homens fracos e medrosos, fez homens corajosos e intrépidos, homens que já não tinham medo das represálias dos judeus, homens que tinham palavras persuasivas e cheias de sabedoria que aqueles que os conheciam pensaram mesmo que estivessem embriagados.
Sim, embriagados estavam, não de vinho da videira, mas sim dos Dons do Espírito de Deus que acabavam de receber.
O primeiro discurso de Pedro foi tão persuasivo que os presentes “ao ouvirem essas coisas, ficaram compungidos no íntimo do coração e indagaram de Pedro e dos demais apóstolos: Que devemos fazer, irmãos?
Pedro lhes respondeu: Arrependei-vos e cada um de vós seja baptizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. (Ac. 2, 37-39)
Palavra de consolação agora, para todos nós:
Pois a promessa é para vós, para vossos filhos e para todos os que ouvirem de longe o apelo do Senhor, nosso Deus”. (Ac. 2, 39)
Assim seja.

Nuno Álvares

segunda-feira, 4 de julho de 2011

AOS SURDOS E AOS CEGOS...

“Aquele que tiver ouvidos, oiça!”

Estas são as palavras de Jesus que hoje ouvimos, talvez sem a elas prestarmos a devida atenção. Mas lembremos o que o povo – aquele de que Jesus falava no passado domingo, “os pequeninos”, aqueles que “são mansos e humildes de coração” –, diz e com muita razão: “Não há pior surdo do que aquele que não quer ouvir”.

É este surdo que não guarda a palavra de Deus, é no seu coração que a semente não dá fruto, porque o seu coração não só é pedregoso, mas é mesmo um rochedo impenetrável, onde nem a água cristalina penetra, tão grandes são a sua impermeabilidade e dureza.

Jesus fala em primeiro lugar de surdos muito particulares, aqueles que ouvindo as Palavras divinas, não prestam a estas a mínima atenção, são daqueles de quem se diz que “as palavras entram por uma orelha e logo saem pela outra”, porque são superficiais: é como se aquelas palavras, aquelas “sementes caíssem à beira do caminho e viessem as aves e as comessem”.

Existem outros surdos que escutam – por ventura menos surdos –, mas nem por isso são suficientemente permissíveis, porque os seus corações vivem outros interesses, buscam outras seduções, as seduções que o mundo lhes oferece e lhes parecem rosas – mesmo se espinhosas – e que eles preferem, por isso mesmo as palavras divinas “logo brotaram, porque a terra era pouco profunda; mas, logo que o sol se ergueu, foram queimadas e, como não tinham raízes, secaram”.

Outros ainda, não completamente surdos, mas por assim dizer impenetráveis ou pouco atraídos pelas divinas Palavras, ouvem sem ouvir: os seus corações estão demasiado virados para os afazeres momentâneos, para as preocupações meramente materiais e neles também a Palavra parece cair como “entre espinhos e, os espinhos cresceram e sufocaram-nas”.

Nestes e nos outros, “cumpre-se a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis; e, vendo, vereis, mas não percebereis. Porque o coração deste povo se tornou duro, e duros também os seus ouvidos; fecharam os olhos, não fossem ver com os olhos, ouvir com os ouvidos, compreender com o coração, e converter-se, para Eu os curar”.

Foi certamente por causa deste estado dos ”surdos” e até mesmo dos “cegos” que não vêem porque não querem ver que Jesus acrescentou ainda, na explicação que dá aos seus ouvintes de então e a nós também: “àquele que tem, ser-lhe-á dado e terá em abundância; mas àquele que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado”.

Será que vamos continuar surdos à Palavra de Deus? Vamos nós obstinar-nos numa cegueira culpável para nada ver à nossa volta das maravilhas de Deus?

Ouçamos e prestemos atenção à recomendação de Jesus, que se destinava não só àqueles que então o escutavam, mas a nós todos que hoje ouvimos a sua Palavra: “Que tiver ouvidos, oiça!” E ainda, poderia Ele acrescentar: “Quem tem olhos para ver, veja!”

Mas como nós corremos o risco de nada compreendermos, como foi o caso dos seus discípulos, Ele explica com carinho o que nesta parábola Ele nos quer concretamente dizer, porque a nós também “é dado conhecer os mistérios do Reino do Céu”, e porque “ditosos os nossos olhos, porque vêem, e os nossos ouvidos, porque ouvem”:

“Quando um homem ouve a palavra do Reino e não compreende, chega o maligno e apodera-se do que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente à beira do caminho”.

Estes parecem ser aqueles que “são superficiais”, aqueles nos quais as palavras “entram por uma orelha e logo saem pela outra”, aqueles que se deixam facilmente e sem luta, convencer pelas manhas do demónio que muitas vezes nos cega e nos torna surdos.

Jesus explica ainda:

“Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe, de momento, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, é inconstante: se vier a tribulação ou a perseguição, por causa da palavra, sucumbe logo”. Estes não serão aqueles que “por ventura são menos surdos”?

“Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra que, por isso, não produz fruto”. São estes os “impenetráveis”, aqueles que nada mais desejam do que os prazeres do mundo, o gozo passageiro contra o gozo eterno, aqueles que se esquecem “que os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que há-de revelar-se em nós” (Rm. 8, 18).

Pelo contrário, prossegue Jesus explicando: aquele que recebeu a semente em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende: esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta” por cento.

Se assim formos nós, ouviremos da boca do Senhor estas palavras tão cheias de carinho, tão cheias de amor:

“Cuidaste da terra e a tornaste fértil”, “vicejam as pastagens do deserto, as colinas vestem-se de festa”, “os campos cobrem-se de rebanhos e os vales enchem-se de trigais” (Sl 65), vem, bendito de meu Pai, toma posse do Reino que te está preparado desde a criação do mundo” (Mt. 25, 34).

Continuemos o nosso dia a dia, na presença de Deus, seguros do seu Amor, e lembremo-nos o que diz tão justamente São Cirilo de Jerusalém, comentando este Evangelho: Aquilo que foi criado para nós morre e renasce.
Ámen.
Afonso Rocha
Comentário para o XV Domingo do tempo comum da Igreja - A

sábado, 2 de julho de 2011

XIV DOMINGO DO TEMPO COMUM DA IGREJA

“Vinde a Mim, todos que estais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei”

Na primeira frase do Evangelho de hoje encontramos uma frase que pode surpreender à primeira vista: “Escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes”, diz Jesus numa prece que Ele dirige ao seu celeste Pai.
Porque esconder as verdades, se elas são para ser ditas e conhecidas?

Mas o nosso Deus não as escondeu a todos: unicamente “aos sábios e inteligentes”, quer dizer àqueles que pensam tudo saberem, tudo compreenderem e não precisarem das sugestões dos outros, sobretudo se estes “outros” são simples gentes do povo, aqueles que os grandes consideram quase como inúteis, que eles em geral desprezam.

Mas Jesus logo explica o porquê desta sua prece: “e as revelaste aos pequeninos”. Ora estes “pequeninos” são justamente aqueles de que há pouco se falou, aqueles que “são simples gentes do povo”, aqueles que os ricos “consideram quase como inúteis, que eles em geral desprezam”. Foi a esses que o nosso Deus revelou todas estas verdades que acolhidas com humildade e amor, nos levam ao Paraíso onde Deus mora e onde quer que nós habitemos também com Ele.

Esta escolha de Deus agrada ao Filho, porque Jesus logo continua a sua prece fervorosa, agradecendo: “Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado”.

Sejamos destes “pequeninos” aos quais Deus revela as divinas Verdades, aos quais o nosso Deus que é Amor, mostra tanto carinho, tanta solicitude, solicitude tão grande e tão desproporcionada que o levam a querer-nos junto do seu divino Trono para toda a eternidade.
Depois de nos explicar que “ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”, Jesus chama cada um de nós, com carinho, com imensa solicitude e sem qualquer excepção:
“Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve”.

E porque não iríamos a Ele, nós que O procuramos? Sim, como diz Santo Agostinho, o grande Bispo de Hipona e Padre da Igreja nas suas Confissões: Os que O procuram encontrá-lo-ão, e os que O encontram louvá-lo-ão. Portanto, que eu te procure, Senhor, invocando-te, e que te invoque, acreditando em ti!”

Como não diríamos como o salmista?

“Quero exaltar-Vos, meu Deus e meu Rei, e bendizer o vosso nome para sempre; quero bendizer-Vos, dia após dia, e louvar o vosso nome para sempre”.

Ou ainda, e quase para terminar:

“O Senhor é fiel à sua palavra e perfeito em todas as suas obras. O Senhor ampara os que vacilam e levanta todos os oprimidos”.

Simplesmente porque “o Senhor é clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade. O Senhor é bom para com todos e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas”.

Todas estas características divinas devem ser para nós fermento que levante a nossa massa espiritual e que esta seja capaz de agradecer e de proclamar como o mesmo salmista:

“Graças Vos dêem, Senhor, todas as criaturas e bendigam-Vos os vossos fiéis. Proclamem a glória do vosso reino e anunciem os vossos feitos gloriosos”.

Amém

Afonso Rocha

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

BAPTISMO DE JESUS

REFLEXÃO
O episódio do Baptismo de Jesus nas águas do rio Jordão é um marco fundamental da sua vida pública, e contudo, por diversas vezes nos ilude a beleza de tudo que envolve. Claramente, a surpresa de João Baptista, por ir baptizar Aquele que ele sabe ser o Filho de Deus é compreensível. O Baptismo de João levava os homens a mergulhar nas águas do rio Jordão para serem lavados dos seus pecados, dada a vinda do Messias, que João Baptista, o Novo Elias, sabia estar iminente. O paradoxo por isso surge: porquê Baptizar o próprio Deus encarnado Homem? Jesus não tinha pecados e procura o Baptismo de João. Sublime mistério! Não se trata, como quando Maria Santíssima foi ao templo, oito dias depois de dar à luz, para ser purificada na tradição judaica, ELA QUE ERA A PURA, A IMACULADA, de uma manifestação da maravilhosa humildade de Maria, que lhe confere a alvura suprema no Reino dos Céus entre os humanos. Jesus não é baptizado apenas para mostrar que não é mais que os outros, porque Ele é de facto o próprio Deus entre nós, e por isso é muito mais que todos os demais. O seu baptismo tem por um sentido profundíssimo que só é perceptível, como diz o Papa Bento XVI quando todo o Evangelho é lido a partir da Cruz, a partir da Paixão de Cristo.

Em "Jesus de Nazaré" (vol. 1), Bento XVI expõe esse Mistério na sua plenitude. Os homens iam ao Rio Jordão para que a água os purificasse e lavasse os seus pecados. Jesus, pelo contrário vai mergulhar a sua cabeça sem pecado no lodaçal dos pecados humanos. E porquê? Porque o sentido do Baptismo é aqui revertido - Jesus tem de ir ao Jordão porque desde o início dos tempos está previsto que o Verbo encarne e entre nós habite como homem, e seja morto e crucificado. Mas a Cruz apenas tem sentido redentor: pelo sangue do Cordeiro somos redimidos dos pecados, e é o sangue do cordeiro que escorre na Cruz que nos lava a alma como nada na Terra pode lavar e alcançar aquela brancura. Porque é Jesus baptizado? Para que se cumpra a Vontade de ABBA que o enviou. Para que o Unigénito de Deus, encarnado no seio da Virgem que o Espírito Santo tornou fecunda, mergulhe no lodaçal onde ficaram os pecados dos baptizados e recolha sobre os seus ombros o peso, o fardo dos pecados de toda a humanidade! Sublime Amor do Amado da Minha Alma: Jesus na tua puríssima cabeça mergulhas no lodo onde os homens deixaram os pecados, não para a lavares, porque não há cabeça mais limpa, nem Alma mais pura, pois Jesus é verdadeiro Deus, mas mergulhas no lodo para recolheres o lodo. A água do Jordão é agora purificado porque o peso dos pecados do Mundo, nota o Papa recai sobre os ombros de Jesus. E por isso, a sua Morte é antecipada neste baptismo. Ele vai recolher os pecados de mundo para que a deixar-se matar, com Jesus morram os Pecados. Como nota o Papa, Jesus mergulha e recolhe o lixo humano antecipando que morrerá na Cruz e com ele será enterrado todo o pecado do homem, podendo o seu sangue ser de facto o Sangue da Nova Aliança, o Sangue que sela a revelação de como a dor da Cruz é redentora. O Novo Adão, pelo baptismo, passa a estar redimido do pecado do primeiro Adão porque Jesus nos amou loucamente e o seu sacrifício da Via Sacra e da Cruz se destinava a que o fardo dos pecados recolhidos fosse morto com ele. Por isso quando morto, do seu lado jorra água e sangue: o novo baptismo que anunciava João é agora o Baptismo no Espírito Santo, o baptismo na água puríssima que jorra do lado de Cristo, água que simboliza desde o Génesis o Espírito Santo, e que vem aos homens no baptismo porque o mais poderoso elemento do universo lava as suas almas: o Espírito Santo da na água baptismal sai infundido com o Sangue puríssimo de Deus Encarnado. Que é o Sangue do Cordeiro, e também o imaculado Sangue que ele recebeu de Sua Mãe. Quando no Apocalipse João diz que na Nova Jerusalém os eleitos terão vestes de alvura celestial porque foram lavadas no Sangue do Cordeiro, liga os 3 elementos: O Baptismo de Jesus, a Santa Cruz em que ele morre e onde do seu corpo jorra o novo Baptismo, e a sua Ressurreição, pois o Cordeiro de Deus Reina no trono da Nova Jerusalém para todo o sempre. E é dele como Deus que emana a Luz que ilumina todo o Reino!

por Carlos Santos a Domingo, 9 de Janeiro de 2011

quinta-feira, 25 de março de 2010

UM MINUTO COM A BEATA ALEXANDRINA

Em que consiste?


A partir do 1º de Abril, em França, na Bélgica e na Holanda vários conventos que praticam a adoração eucarística, vão fazer um minuto suplementar de adoração, minuto durante ao qual vão unir-se espiritualmente às intenções da Beata Alexandrina ― guardiã dos Tabernáculos abandonados. Mas este minuto suplementar de adoração não será limitado aos monges e às freiras, visto que um grande número de leigos vai também participar e, por intermédio dos blogues e dos Sítios Internet que informarão regulamente sobre desta devoção particular, todos serão informados, de maneira que esta acção vá “até aos confins do mundo”

Este minuto suplementar, multiplicado por milhares de pessoas, poderá depois contabilizar-se em milhares de horas suplementares de adoração, o que naturalmente fará grande prazer à nossa querida Alexandrina.

Durante o mês de Julho ou Agosto — a data ainda não foi definitivamente fixada — vamos instalar em Paray le Monial (França), cidade onde Jesus apareceu a Santa Margarida Maria, um stand dedicado à Beata Alexandrina de Balasar. O nosso objectivo é de explicar os milhares de pessoas que ali se vão reunir quem foi a Alexandrina e qual foi a sua primeira missão.

Vamos igualmente distribuir uma carta — tipo carta bancária — contendo de um dos lados a imagem da Alexandrina e do outro lado uma pequena oração sobre um fundo eucarístico.

SITES :

http://alexdiffusion.free.fr/
http://alexandrina.balasar.free.fr/
http://alexandrinabalasar.free.fr/
http://nouvl.evangelisation.free.fr/
http://voiemystique.free.fr/
http://lieudepriere.free.fr/

BLOGS :

http://alexandrina-de-balasar.blogspot.com/
http://alex-balasar.blogspot.com/
http://mistica-e-misticos.blogspot.com/
http://nouvelle-evangelisation.blogspot.com/
http://voie-mystique.blogspot.com/
http://a-jesus-par-marie.blogspot.com/
http://a-jesus-por-maria.blogspot.com/

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

MEDITAÇÕES PARA O TEMPO DE QUARESMA

Aprende a carregar Cristo


Não foi por prazer que o Senhor do mundo, em sua condição humana, apare-ceu publicamente montando numa jumenta. O que ele desejava, por um miste-rioso segredo (ou mistério latente), era penetrar no âmago dos corações, selar o íntimo de nossa alma e, como místico cavaleiro, aí tomar assento, corporal-mente. Assim, por sua divindade, poderia dirigir os passos da alma, refreando os impulsos da carne e, habituando os pagãos àquela amorosa direcção, disci-plinar-lhes os sentimentos. Felizes os que, sobre o dorso da alma, acolheram tal cavaleiro! Realmente felizes os que, tendo os lábios contidos pelas rédeas do Verbo celeste, não se dissiparam na loquacidade.

E que rédea será essa, irmãos? Quem me ensinará como se pode reprimir ou soltar os lábios dos homens? Mostrou-me tal rédea aquele que disse: Que a pa-lavra seja colocada em minha boca, de maneira que eu possa falar abertamente (cf. Ef 6, 19). A palavra é, pois, uma rédea, mas também um aguilhão. É difícil teimares contra o aguilhão! (At 26, 14). Foi o Senhor quem nos ensinou a abrir o coração, a suportar o aguilhão, a carregar o jugo. Que um outro nos ensine a suportar o freio da língua; pois mais rara é a virtude do silêncio que a da pala-vra. Sim, o que nos ensinou aquele que, como mudo, não abriu a boca contra a impostura e, pronto para as chicotadas, não recusou os golpes, a fim de tornar-se um suave assento para o Senhor?

Aprende, de um familiar de Deus, a carregar Cristo, pois ele, outrora, te carre-gou quando, como pastor, reconduzia a ovelha desgarrada; aprende a oferecer, de bom grado, o dorso de tua alma, aprende a ficar sob Cristo, para que possas ficar sobre o mundo. Não é qualquer um que transporta facilmente Cristo, mas quem é capaz de dizer: Meu coração grita e geme de dor, esmagado e humilha-do demais (Sl 37 [38], 9).

Com efeito, se desejas não ser abalado, coloca teus passos pacificados sobre as vestes dos santos; na verdade, cuida para não caminhares com os pés enla-meados; acautela-te para não te embrenhares pelos desvios, abandonando o caminho dos profetas. Pois, a fim de proporcionar um percurso mais seguro para as nações que haveriam de chegar, os que precederam Jesus cobriram, com as próprias vestes, o caminho até o templo de Deus. Para que avances sem tropeço, os discípulos do Senhor despojaram-se, pelo martírio, de suas vestes, para aplainar-te um caminho através da multidão hostil.

Santo Ambrósio, bispo: Comentário sobre o Evangelho de São Lucas,
Commentarium in Lucam, liber 9, 9-11
(Sources Chrétiennes 52, 143-144)